domingo, 27 de março de 2011

Memória Literária - I Prêmio "Ser autor 2010"

“AVENTURA ATRAVÉS DA LEITURA”

A sala era pequena, mas acomodava a todos nós, eu e os alunos da 6ª série C, afinal, estávamos ansiosos para continuar a leitura do livro AVENTURA NO EGITO de Elisabeth Loibl, e o lugar, pouco importava naquele momento.
A história era sobre a aventura de três jovens, que a convite do tio de dois deles, foram conhecer o Egito. Lá eles se envolveram em grandes aventuras, que foram desde decifrar enigmas até descobrir o esconderijo de grandes riquezas egípcias. Assim, tornaram-se heróis por ajudarem elucidar crimes e a recuperar parte do tesouro egípcio.
Lembro-me perfeitamente que trabalharíamos a interdisciplinaridade envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa, História e Geografia. Havíamos escolhido este livro porque a professora de História e o professor de Geografia iriam falar sobre o Egito. E eu, professora de Língua Portuguesa, leria o livro paradidático com os alunos para contribuir na contextualização do assunto.
Na época, um filme estava em alta: A MÚMIA. Assisti ao filme e fiquei empolgada com a leitura, pois sempre gostei de ler e assistir documentários sobre o Egito.
Iniciamos a leitura do livro na sala de aula, solicitei aos alunos que arrumassem as carteiras em forma de um círculo e então começamos a leitura. Como a narração se iniciava com diálogos, fui logo fazendo as vozes dos personagens, engrossando a voz para dramatizar voz masculina, afinando para fazer a voz da menininha e os alunos nem piscavam. Quando um deles, por algum motivo, se mexia provocando um pequeno barulho, os outros lhe chamavam a atenção. E assim, a única voz que ecoava naquele silêncio era a minha.
A leitura era feita em duas aulas, uma vez por semana. Comecei a notar que nas aulas de leitura, eles quase não faltavam e faziam questão de me perguntar nos corredores, como que para obter uma confirmação, de que haveria mesmo a leitura do livro nas aulas programadas.
Nas aulas seguintes passei a convidar algum aluno para incorporar um personagem e fazer os diálogos, até que fiquei só como narradora.
Essa memória literária, que ora escrevo, fez-me lembrar do tempo em que também fui aluna e descobri na leitura uma fonte de prazer. Lembro-me da minha professora de Português, Dona Quimico, já falecida, como a responsável de despertar em mim o gosto pela leitura, que marcou tanto a minha vida. Naquela época, meus pais haviam se separado e eu estava confusa, triste, sem entender o porquê daquela situação. Afinal, o sonho de todo filho é ter os pais juntos. E foi através da leitura e da dramatização de peças que eu superei o trauma, pois me vi tão envolvida nas leituras, a ponto de ler uma obra seguida de outra. Talvez por isso valorize tanto a leitura que nos possibilita viajar por outros mundos.
Mas voltemos à nossa memória literária.  A leitura de “Aventura no Egito” fluía e nos imbuía de medo, de angústia, e de expectativa de ver aqueles três jovens salvos das enroscadas que se metiam ou que os outros os envolviam.
Numa manhã sugeri que lêssemos a nossa história em outro recinto. Havia uma sala sem carteira no primeiro andar, com algumas almofadas e tapetes, e a luz fraca deixava o ambiente meio sombrio. Os alunos toparam na hora.  Lembre-se que eu comecei a minha memória falando dessa sala que era pequena, mas acomodava a todos nós.  Líamos a história e no capítulo em que os jovens aventuravam-se, andando pelo interior de uma grande pirâmide, sem perceber que estavam sendo seguidos por um homem de preto...  
De repente, alguém abriu bruscamente aquela porta da sala de leitura em que estávamos, pois achava que a sala estava vazia, e eu não me contive, dei um grito de terror, o meu coração começou a bater tão forte e tão acelerado que o professor ficou muito constrangido.  Ficamos todos perplexos e em seguida os alunos começaram a rir, rir sem parar. O professor de educação física que abrira a porta, ficou um instante olhando a cena e os alunos, que olhavam para mim e para ele e continuavam a rir.
Depois caímos os dois na risada, expliquei para o professor que estávamos lendo uma parte intrigante do livro e que eu tinha entrado na grande pirâmide com os personagens e que algo muito ruim estava para acontecer. Os alunos riam, riam e depois dessa aula, minhas aulas de leitura nunca mais foram as mesmas.  Lemos e dramatizamos  “O HOMEM QUE CALCULAVA para trabalharmos com a professora de matemática e fora esses, lemos mais cinco livros em que eles brigavam para fazer as vozes dos personagens e eu pude ver nos olhos do meu aluno, a alegria de ser leitor.

CONCURSO “SER AUTOR” – 2010
Diretoria de Ensino São Bernardo do Campo
E. E. Prof.º Euclydes Deslandes
Prof.ª Tânia Regina Exposito Ferreira











                                               

Um comentário:

  1. Não tenho palavras para te descrever !!
    em geral a senhora é MARAVILHOSA com todo respeito !!
    Sinto saudades !! suas poesias, suas crônicas,seus textos .... Tudos perfeitos !!
    Fica com Deus minha querida e sempre professora que nunca vou me esquecer.

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